sábado, 28 de janeiro de 2012

#2

Vou começar a enumerar os títulos dos meus posts, assim ficam mais organizados (eu nem tinha percebido que tinha essa possibilidade de colocar título).
Hoje pela manhã estava eu fazendo minha boa samaritanice do dia: levando minha hóspede ao ponto de ônibus para ela ir trabalhar. Sério, quem trabalha num sábado? Ela. E com isso vos afirmo, ainda existe escravidão. Só é dado outro nome e agora cada uma tem sua profissão. Não que trabalhar seja ruim, claro, mas num sábado acho péssimo. Já acho péssimo ter que trabalhar 05 dias na semana, que dirá 06. Mas voltemos ao foco do texto.
Estavamos lá caminhando pela rua, quando logo na próxima esquina havia uma casa antiga, dessas bonitinhas estilo sobradinho, pequena mas aconchegante, toda decoradinha com flores etc. A casa não tinha problema nenhum, o problema era o morador da casa. Um simpático velhinho em torno de seus 60/70 anos, limpava a calçada da rua de dentro de sua casa. Tudo bem. Mas com uma mangueira.
Pense: o cara acordou, ficou com preguiça de abrir o portão, pegou a mangueira que tava ali e começou a mirar na meia dúzia de folhas que estava na calçada da frente da sua casa. Resultado? Um riozinho seguia pela descida da rua, correndo diretamente para o próximo bueiro. Um monte(um monte mesmo) de água por nada.
Aí falam pra mim: velhinho é tudo bonzinho. É, claro. Minha mãe é boa perto desse aí. Um homem desse não pensa no amanhã? Ai que pergunta né Anne, lógico que não, vai tá morto, né.
Mas e os filhotes dele? E os netos? Também não né? Minha vontade era de gritar: MAS VAI VARRER ESSA CALÇADA VÉIO PREGUIÇOSO. Mas minha mãe, por mais terrível que seja, me ensinou a ser educada. Engoli e não falei nada. Ele é velho, ainda ia fazer um escândalo, falando que eu estava ferindo a índole dele etc etc etc. Coisas que velhos fanfarrões usam para se proteger de todos.
Eu só espero sinceramente o número de pessoas como ele vá se reduzindo ao longo do tempo. Embora eu saiba que ainda tem muita gente que desperdiça litros e litros de água para lavar a frente da sua casa. Ou porque precisa lavar o carro brilhante ano 2040 com a mangueira na frente de casa pra todo mundo assistir(sessão em família né, quem iria perder um babaca lavando o carro legal dele?). Ou porque tem nojinho de fazer xixi no box enquanto toma banho. Ou porque não tem tempo de mandar consertar uma simples torneira de banheiro. Essas desculpas que todo mundo dá para não deixar o egoísmo de lado e colaborar com um lugar melhor pra todo mundo viver.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Ha, eu tô passada. Bege. Rosa. O que preferir.
Depois de alguns anos resolvi fazer um blog novamente. Mas tô incrivelmente extasiada (não há palavra melhor para definir) com as ferramentas disponíveis para a publicação de um simples post.
Podem me achar antiquada e até velha, ou como diziam em minha época, noob. Mas eu sou do tempo onde para fazer um blog e ter um layout legal era necessário dias e dias de photoshop. E mais alguns outros dias de HTML. No bloco de notas, claro. < b > </ b> era somente um entre outros mil códigos que eu, no auge dos meus 12 anos, tentava decorar. Sou do tempo em que merthiolate ardia. E puts, como ardia. Bastava minha querida avó aparecer com aquele frasquinho carmim e aquele dosador que parecia uma mini raquete para eu sumir (ou gritar de dor).
Hoje os tempos são outros. Com o twitter à vista e um leque de novidades tecnológicas que nos abraça todo santo dia, é mais do que lógico um fornecedor de serviços como o blogger acompanhar a evolução do perfil internauta. Entretanto, posso afirmar que o desapego que muitos têm praticado com blogs é consequência justamente dessa tecnologia. E do desenvolvimento de uma nova doença, a preguicite aguda de ler. Não me julguem mal. Sou adepta ao twitter, facebook, e quaisquer redes sociais novas que apareçam por aí. Porém sou obrigada a dizer que a overdose de informações mataram as próprias informações. Ou será que não? Num mundo globalizado como o de hoje, as informações vão e vêm, rápidas, em chamadas, em 140 caracteres. A necessidade de absorver tanta informação nos obrigou a encurtá-las. Mais informação em menos tempo. Não é á toa que nos ensinam até como ler os jornais: basta ler o primeiro parágrafo para entender a notícia. Mas isso é aplicável às notícias. O que preocupa, e muito, são quando técnicas como essas são aplicadas a livros, artigos científicos, literatura ou um bom poema. A juventude tem preguiça de ler graças ao boom de informações que é obrigada a adquirir diariamente. Digo isso, pois tenho como prova um irmão de 12 anos sedentário, culturalmente falando, em casa. Com seus 12 anos a única coisa que ele lê são algumas informações no Wikipédia para os trabalhos escolares. E ele nunca, pasme, n-u-n-c-a leu um livro, a não ser quadrinhos. E não pense que é por falta de incentivo. Eu mesma já dei mais de 05 livros a ele, que hoje só servem para acumular pó na estante. Livros que nunca foram abertos. E já dei livros de todos os gostos, de todos os tipos, de todos os jeitos. Ele simplesmente não os abre. No máximo pega, vira de lado, vai para a última página e vê a quantidade de páginas. Ao perceber que tem mais de 50, já bufa.
Mas daí você pergunta se ele assistiu ao filme, aquele que originou do livro. Ele responde com entusiasmo que sim, que sabe todas as cenas de cor, falas e personagens. Que adora o enredo. Mas o livro continua lá, na estante. Diz ele que não gosta de ler. Acho que na verdade ele não gosta de papel. Não vejo outra explicação, pois ao assistir ao filme ele precisa ler as legendas. Pra fazer o trabalho precisa ler. Todos nós precisamos ler. É a primeira coisa que aprendemos na escola. É questão de sobrevivência.
Muita informação, hoje já nem se fala em globalização. Hoje somos uma globalização só. Uma coisa só. Pode se estar lá e cá ao mesmo tempo. Os benefícios disso? Grandes. Porém, ao mesmo tempo em que há um grande movimento de conhecimentos entrelaçados, sedentos para serem descobertos, há também um déficit enorme na área da educação. Professores têm dificuldade em adaptar os alunos aos estudos. Pois hoje é necessário adaptá-los. Na minha época temíamos os professores. Uma nota vermelha era motivo de vexame. De vergonha. De falta de tunda de laço, de uns tabefes para lembrar-se que sua única obrigação era ir à escola. Hoje, se um aluno tira nota baixa, o culpado é o professor, que foi incapaz de transmitir seus conhecimentos. Patético, em minha opinião. Isso, sem comentar os casos de bullying. Mas deixemos isso para uma próxima.
O causo é que, amanhã ou depois, essa geração Z estará competindo por empregos e o responsável por triá-los será o mercado de trabalho. Muita proteção hoje, mas amanhã quem estará aí para protegê-los? Colhe-se o que planta. Mas devemos lembrar que os seres humanos não vivem para sempre como os provérbios, as informações entre outras coisas.
E o livro? Continua lá, na estante. Isso me entristece, e muito.